quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Castelo de areia
Um castelo vazio, sem ninguém
Não há rei, rainha, príncipe ou princesa
Paredes gélidas, dias escuros
Quadros manchados, cristais sem brilho, jardins sem
vida
Me diz, que castelo você tem?
Uma tristeza que não se entrega
Maior que a alegria que lhe convém
Vida longa ao Rei!
Desejo mentiroso dos que te cercam
Mas as portas estão fechadas, não entra ninguém
Mesa posta, banquete armado
Vinho na taça, forjada em ouro e prata
Feitos por quem?
O tempo não para o dia se esvai
Vive-se ao limite do que se queria
Um vento inquieto
Pelas poucas frestas que trazem o Sol
Faz um barulho enorme, que irrita!
Em meio ao silêncio que corrói
Muralhas em pedra, pontes vistosas
Mas não há exército
Pois também não há guerra
Tudo está em paz
E o tempo não para,
e o dia se esvai
Será esse teu sonho?
Sair das batalhas
Deixar de lado as lutas
Conquistas, glórias, travadas em teu nome
Nome que a muito não se fala
Se imaginava que atravessaria a eternidade,
Ingenuidade
Eternidade é o que primeiro se vai
Corredores enormes, armaduras robustas
Silêncio maldito, que te fez refém
Inúmeros tapetes, cortinas de seda
Tudo tão intacto, pois não há ninguém
Me responde outra vez:
Que castelo que você tem?
Não quero metade
Ou só uma parte
Eu quero tudo mesmo
Eu não quero o futuro
Não quero o passado
Eu quero o hoje
Quero o agora
Eu não quero sonhar
Eu quero realizar
Quero sair
Quero respirar
Sabe?
Andar descalço
Sujar o pé
Eu quero o que ta ai
E que é de graça
Eu quero o desejo
Quero o que dá e passa
Não quero o seria
Ou mesmo o será
Eu quero o que é
Como tem que ser
O que há de se esperar do tempo?
Porque pensa-se que se controla o tempo?
O relógio é apenas um adereço
Cada tempo tem o seu preço
Depende apenas do seu apreço
Será isso que eu mereço?
Tempo
O tempo é a coisa mais antiga
Nele a história se abriga
Um rosto, uma voz amiga
A beleza de uma trilha de formiga
Tempo
Tem-se tempo para qualquer coisa
Menos para se ter tempo
Uma palavra um momento
Um chamego, um alento
Quem sabe até...
Um invento
Alegria e tristeza
Pobreza e riqueza
Luxúria e beleza
Duram para sempre.
Com toda a certeza?
O tempo sabe.
Pensamos nos dias de hoje
Vivendo nos dias de ontem
Ficamos a mercê de uma vida utópica
Hipócritas-beira-mar
Esperando chegar,
Sem se quer sair do lugar
Para onde se foi o futuro?
O que aconteceu com o agora?
Para onde se deve tentar ir?
Sim, ao menos tentar
Sempre há um lugar a espera
Um sorriso da primavera
O início de uma nova era
Qualquer coisa!
Menos isso.
Isso já basta
Já não serve para nada
Já não satisfaz
Nada mais me interessa.
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